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Gisele dona da sexshop se encantou com Léo

Gisele dona da sexshop se encantou com Léo

Geralmente, tinham cinco ou seis mulheres ao meu redor enquanto trabalhava. Bastava abrir minha enorme mala para risos nervosos, comentários maliciosos e olhares surpresos aparecerem.

“Gisele, esse negócio aí não machuca mesmo?”, perguntou, dia desses, uma morena. Como sempre, ri discretamente ao responder: “Não, Marisa, é feito de um material supersuave. Passe a mão nele e sinta”.

Enquanto ela manipulava a peça, as outras olhavam curiosas. “Mas não há risco de quebrar na hora H?”, questionou uma senhora. “Não, ele não se rompe. Por favor, Marisa, entorte-o para nossa amiga entender o que estou falando”, pedi, apontando o consolo colorido.

Nunca havia pensado em ser revendedora de produtos eróticos. Entrei nessa porque, com a falência da empresa onde trabalhava, perdi o emprego. Sem dinheiro, marido ou família para me sustentar, achei atraente a possibilidade de faturar uma grana com algo, de certa forma, divertido. “Muita gente compra, Gi. Você vai receber um bom dindin”, comentou a gerente da loja. Ela tinha razão. Em um mês, eu já ganhava três vezes mais que meu antigo salário.

Vendia de tudo: vibradores, cremes estimulantes, algemas, lubrificantes. Para meu espanto, as mulheres estavam cada vez mais interessadas nessas coisas. As vendas faziam sucesso porque rolavam em encontros de amigas e reservadamente.

Elas gostavam de pegar os acessórios, sentir, cheirar… Algumas até brincavam com eles. “Isso é duas vezes maior do que o do meu marido”, diziam, ao ver um vibrador enorme. Aliás, todas pediam para conhecer o modelo, mas ninguém comprava.

Após um ano no ramo, transformei-me na Ruiva dos Brinquedos. Quem ouvia esse apelido imaginava que meu trabalho estava relacionado a artigos infantis. “Ruiva, esse creme lubrifica bem o ânus?”, indagou, certa vez, a mulata Dalila. Sem dúvida, ela sonhava em sentir prazer por trás com o parceiro.

Por falar em homens, algo estranho acontecia nas reuniões. Embora fossem só para o público feminino, vez ou outra algum marido aparecia de surpresa, com desculpas esfarrapadas. Um em particular, o Leonardo, sempre dava as caras. A esposa fazia o maior escândalo para que nos deixasse em paz. Eu a apoiava, claro. Mas, por dentro, queria muito experimentar os brinquedinhos… com ele!